Òwe on Work, Farming and Diligence
Sourced Yorùbá proverbs about labour, the farm and the discipline of effort, presented with the original, a literal gloss, a named translation, and the situation each is spoken in.
Iṣẹ́ é trabalho ou labor, e oko é a roça, o local de trabalho ordinário por trás da maioria destes provérbios em uma sociedade onde a agricultura era a ocupação básica. Este arquivo reúne cinquenta e três provérbios em que o trabalho, a roça e a disciplina do esforço contínuo são o tema: como é o dia do agricultor, quanto custa a preguiça, como os ofícios e os comerciantes são julgados e o que acontece com uma pessoa que não trabalha. Os provérbios tratam a ociosidade quase como uma falha moral e tratam a roça como o terreno de prova onde o caráter, e não apenas as colheitas, se torna visível.
Como este arquivo foi documentado
Todas as entradas abaixo foram extraídas da coleção digitalizada de provérbios de Oyekan Owomoyela, The Good Person: Excerpts from the Yorùbá Proverb Treasury, hospedada pela University of Nebraska-Lincoln, que apresenta cada provérbio na ortografia padrão com marcação tonal completa, seguida pela tradução em inglês do próprio Owomoyela e por uma nota de uso entre colchetes [S1]. Onde um provérbio estiver marcado com [S1], o texto em Yorùbá e o inglês idiomático são de Owomoyela, reproduzidos como impressos. A maioria das entradas aqui provém da seção dessa coleção dedicada a perseverança, dedicação ao trabalho, resiliência, autoconfiança, autossuficiência, engenhosidade, audácia, fortaleza e invulnerabilidade, embora provérbios sobre a roça e o mercado também reapareçam em outras seções temáticas da coleção e algumas entradas tenham sido extraídas delas.
Um pequeno bloco final, marcado com [S2], provém do artigo revisado por pares de Osoba sobre as funções sociopragmáticas dos provérbios Yorùbá, baseado em coleta de campo em Ile-Ife, que publica Yorùbá em ortografia baseada em apóstrofos e sem marcas de tom em todo o texto [S2]. Essas entradas são reproduzidas exatamente como impressas, sem marcas de tom e sinalizadas como tal.
A linha literal em cada registro é do compilador deste corpus, trabalhando a partir do Yorùbá impresso e separando a metáfora que a versão idiomática suaviza. Onde a leitura literal do compilador e a interpretação idiomática da fonte apontam em direções diferentes, o campo de notas indica isso.
O dia do agricultor
1. Àgbẹ̀ gbóko róṣù.
Literal: Àgbẹ̀ the-farmer gbóko stays-on-the-farm róṣù to-see-the-moon.
Idiomatic: "A farmer stays on the farm and sees the moon." [S1]
Significado: O dia de um agricultor dedicado estende-se do amanhecer até o surgimento da lua.
Usado quando: Owomoyela: "O agricultor consciente passa longos períodos na roça; a persistência é a chave para o sucesso" [S1]
Notas: A lua marcando o fim do dia do agricultor, em vez do pôr do sol, é um detalhe sutil, mas exato: indica que o agricultor ainda está lá depois que o sol se põe, e não apenas trabalhando durante toda a jornada diurna.
2. Àgbẹ̀ tó bá pẹ́ nílé ò níí kọ oko ọ̀sán.
Literal: Àgbẹ̀ tó bá pẹ́ nílé a-farmer who lingers at-home ò níí kọ oko ọ̀sán will-not refuse the-farm at-midday.
Idiomatic: "A farmer who tarries in the house will not object to hoeing the farm in the afternoon." [S1]
Significado: Quem adia o início de uma tarefa não pode depois reclamar de ter que fazer a parte mais difícil sob o calor do dia.
Usado quando: Owomoyela: "Aquele que hesita torna suas tarefas muito mais difíceis" [S1]
Notas: O trabalho na roça realizado ao meio-dia, sob sol pleno, é entendido como a parte menos desejável da jornada de trabalho; portanto, o provérbio trata, na verdade, do custo autoinfligido da procrastinação.
3. Ìgbà tí a bá dóko làárọ̀ ẹni.
Literal: Ìgbà tí a bá dóko the-time when one arrives-at-the-farm làárọ̀ ẹni is-one's dawn.
Idiomatic: "The time of one's arrival on the farm is one's dawn." [S1]
Significado: A jornada de trabalho de uma pessoa começa no momento em que ela efetivamente inicia, independentemente do relógio.
Usado quando: Owomoyela: "As pessoas não devem ser escravas do tempo, mas usar o tempo a seu próprio favor" [S1]
Notas: O provérbio redefine "manhã" como uma categoria funcional e não fixa: seja qual for a hora em que o trabalho começa, essa hora se torna a própria alvorada da pessoa, o que autoriza um início tardio sem desculpar a falta de produtividade.
4. Bí ojú bá mọ́, olówò a gbówò; ọ̀rànwú a gbé kẹ́kẹ́; ajagun a gbé apata; àgbẹ̀ a jí tòun tòrúkọ́; ọmọ ọdẹ a jí tapó tọrán; ajíwẹṣẹ a bá odò omi lọ.
Literal: Bí ojú bá mọ́ when day breaks, olówò a gbówò the-trader takes-up his-trade; ọ̀rànwú a gbé kẹ́kẹ́ the-cotton-spinner picks-up the-spindle; ajagun a gbé apata the-warrior takes-up his-shield; àgbẹ̀ a jí tòun tòrúkọ́ the-farmer rises with-himself and-his-hoe; ọmọ ọdẹ a jí tapó tọrán the-hunter's-child rises with-quiver and-bow; ajíwẹṣẹ a bá odò omi lọ he-who-rises-to-wash-with-soap goes to-the-river-water.
Idiomatic: "When day breaks, the trader takes up his trade; the cotton spinner picks up the spindle; the warrior grabs his shield; the farmer gets up with his hoe; the son of the hunter arises with his quiver and his bows; he-who-wakes-and-washes-with-soap makes his way to the river." [S1]
Significado: Cada ofício tem seu próprio ritual ao amanhecer, e o dia começa devidamente quando todos empunham a ferramenta de sua vocação.
Usado quando: Owomoyela: "Quando a manhã chega, todos devem se dedicar a algo útil" [S1]
Notas: O provérbio é um pequeno catálogo de ocupações, cada uma anunciada por seu instrumento característico em vez de pelo nome, o que é um recurso comum nestes provérbios: a ferramenta representa o ofício.
5. Ilé nÌjèṣà-á ti ńmúná lọ sóko.
Literal: Ilé nÌjèṣà-á ti ńmúná it-is-from-home that-the-Ìjèṣà-person takes-fire lọ sóko to-go-to-the-farm.
Idiomatic: "It is from the home that the Ìjèṣà person takes fire to the farm." [S1]
Significado: A pessoa prevenida chega ao local de trabalho já equipada, em vez de esperar improvisar ali.
Usado quando: Owomoyela: "A pessoa sábia reúne todos os materiais de que precisará antes de embarcar em um empreendimento" [S1]
Notas: O Ìjèṣà, um subgrupo Yorùbá, é invocado aqui especificamente pela autossuficiência; uma variante próxima sobre o mesmo tema, Ìjèṣà ò nídì-i ìṣáná; ilé lọmọ Ọwá ti ńfọnná lọ sóko ("O Ìjèṣà não precisa de fósforos; é de casa que o descendente de Ọwa leva gravetos em brasa para a roça"), expressa o mesmo ponto por meio do Ọwá, o título governante de Ìjèṣà [S1].
6. Ọjọ́ tí a dóko là ńjìjà ilẹ̀.
Literal: Ọjọ́ tí a dóko the-day one arrives-at-the-farm là ńjìjà ilẹ̀ is-when-we contest-over land.
Idiomatic: "The day one gets to the farm is the day one fights over boundaries." [S1]
Significado: Disputas sobre os termos de uma tarefa devem ser resolvidas logo no início, não adiadas.
Usado quando: A nota de Owomoyela é uma instrução direta: "Não procrastine" [S1]
Notas: Disputas por limites de terras eram uma característica real e recorrente da vida no campo, de modo que a imagem do provérbio é extraída de uma ocasião real e comum, e não inventada, sendo depois generalizada para disputas de qualquer tipo.
7. Ọjọ́ tí a ńkọ́ṣẹ́ là ńkọ́ ìyára.
Literal: Ọjọ́ tí a ńkọ́ṣẹ́ the-day one is-learning-a-trade là ńkọ́ ìyára is-when-we learn speed.
Idiomatic: "The day one learns a trade is the day one learns to be quick at it." [S1]
Significado: Competência e rapidez devem ser aprendidas juntas desde o início, não acrescentadas posteriormente.
Usado quando: Owomoyela: "Tudo o que alguém faz deve fazer de maneira minuciosa e com perícia" [S1]
Notas: O provérbio rejeita uma desculpa comum, a de que a lentidão é aceitável enquanto ainda se está aprendendo, e insiste que o padrão é estabelecido desde o primeiro dia.
8. Òru ni ìnàhìn àgbẹ̀.
Literal: Òru night ni ìnàhìn àgbẹ̀ is the-back-stretching-time of-the-farmer.
Idiomatic: "Night time is a farmer's time to stretch the back." [S1]
Significado: O descanso para o agricultor só vem após o anoitecer; a jornada de trabalho ocupa todas as horas do dia.
Usado quando: Owomoyela: "Enquanto o dia durar, haverá trabalho a fazer" [S1]
Notas: Ìnàhìn, o ato de esticar as costas, designa o alívio físico específico de se endireitar após um dia curvado no trabalho agrícola, de modo que o provérbio é concreto sobre o corpo do agricultor, e não apenas abstrato sobre as horas.
9. Oòrùn ò pa ọ́, òjò ò pa ọ́, o ní ò ńṣiṣẹ́ ajé.
Literal: Oòrùn ò pa ọ́ the-sun does-not strike-you, òjò ò pa ọ́ the-rain does-not strike-you, o ní ò ńṣiṣẹ́ ajé yet-you say you-are doing gainful-work.
Idiomatic: "The sun does not beat you, the rain does not beat you, and yet you say you are engaged in a gainful pursuit." [S1]
Significado: O verdadeiro trabalho produtivo expõe a pessoa às intempéries; quem não foi tocado pelo sol ou pela chuva não está realmente realizando o trabalho que alega fazer.
Usado quando: Owomoyela: "O trabalho produtivo raramente é prazeroso" [S1]
Notas: O provérbio usa a exposição física como evidência, tratando com aberta suspeita a alegação confortável de estar "trabalhando", visto que o autêntico trabalho agrícola não pode ser feito com conforto.
10. Ọdọọdún làgbẹ̀ ńníyì.
Literal: Ọdọọdún every-year làgbẹ̀ ńníyì is-when-the-farmer has-honour.
Idiomatic: "It is every year that the farmer receives praise." [S1]
Significado: O reconhecimento do agricultor é renovado anualmente, atrelado à colheita de cada ano.
Usado quando: A nota de Owomoyela o enquadra como uma fórmula de bênção: uma declaração ou prece para que uma pessoa receba louvor perene, assim como a colheita anual traz louvor ao agricultor [S1].
Notas: Ao contrário da maioria dos provérbios neste arquivo, que descrevem ou instruem, este é usado de forma performativa como um voto proferido sobre alguém, o que a nota de uso deixa explícito.
11. Ìpọ́njú àgbẹ̀ ò ju ọdún kan.
Literal: Ìpọ́njú àgbẹ̀ the-farmer's hardship ò ju ọdún kan does-not exceed one year.
Idiomatic: "A farmer's suffering will not last longer than a year." [S1]
Significado: As adversidades ligadas ao ciclo agrícola têm um ponto final natural na colheita.
Usado quando: Owomoyela: "Todo revés tem seu fim" [S1]
Notas: O consolo do provérbio é estrutural e não sentimental: ele funciona porque o ano agrícola tem genuinamente uma duração fixa, e a promessa de alívio é, portanto, literal, não apenas esperançosa.
12. Oṣù mẹ́ta lebi ńpàgbẹ̀.
Literal: Oṣù mẹ́ta three months lebi ńpàgbẹ̀ is-how-long hunger afflicts-the-farmer.
Idiomatic: "The farmer's hunger lasts only three months." [S1]
Significado: A entressafra antes da colheita, quando os próprios mantimentos do agricultor podem escassear, é limitada e temporária.
Usado quando: Owomoyela: "A adversidade vivida por uma pessoa trabalhadora não dura muito" [S1]
Notas: Esta é uma versão mais específica da afirmação do verbete 11, indicando a duração em meses em vez do número aproximado de um ano, sendo coerente com o calendário agrícola real em vez de ser um exagero retórico.
A preguiça e sua paga
13. Ìròjú baba ọ̀lẹ.
Literal: Ìròjú shirking, procrastination-in-work baba ọ̀lẹ is-the-father-of laziness.
Idiomatic: "Shirking work is the father of laziness." [S1]
Significado: O hábito de se esquivar do trabalho é o que produz uma pessoa preguiçosa, e não o inverso.
Usado quando: A nota de Owomoyela classifica os dois: "A pessoa que se recusa a trabalhar é pior do que uma pessoa preguiçosa" [S1]
Notas: Ao fazer da esquiva a origem da preguiça, e não um sintoma dela, o provérbio trata a recusa ao trabalho como a falta mais fundamental e mais reprovável.
14. Iṣẹ́ ọ̀gẹrọ̀ lọ̀lẹ́ mọ̀-ọ́ ṣe; kò jẹ́ wá iṣẹ́ agbára.
Literal: Iṣẹ́ ọ̀gẹrọ̀ light, undemanding work lọ̀lẹ́ mọ̀-ọ́ ṣe is-what-the-lazy-person knows to-do; kò jẹ́ wá iṣẹ́ agbára he-does-not seek-out work-of strength.
Idiomatic: "The lazy person knows how to do only things that call for little effort; he/she never seeks out work that demands strength." [S1]
Significado: A preguiça se manifesta não como inatividade total, mas como uma preferência consistente pela tarefa mais fácil disponível.
Usado quando: Owomoyela: "Dito daqueles que sempre buscam a saída mais fácil de um dilema" [S1]
Notas: O provérbio refina o retrato da preguiça: não se trata de ociosidade em si, mas de uma evitação sistemática do trabalho exigente enquanto ainda se realiza o trabalho leve, o que constitui um diagnóstico mais agudo e menos complacente do que a simples indolência.
15. Iṣẹ́-ajé-ò-gbé-bòji, ọmọ ẹ̀ Òjíkùtù.
Literal: Iṣẹ́-ajé-ò-gbé-bòji work-for-gain-does-not-stay-in-the-shade, ọmọ ẹ̀ its child Òjíkùtù is-named First-Up-At-Dawn.
Idiomatic: "Gainful-work-does-not-keep-to-the-shade; his/her child is named First-up-at-dawn." [S1]
Significado: O trabalho verdadeiramente produtivo não ocorre no conforto e gera o acordar cedo como sua prole natural.
Usado quando: Owomoyela: "O sucesso na vida exige sacrifício pessoal" [S1]
Notas: O provérbio personifica o "trabalho lucrativo" como um progenitor que dá ao filho o nome de seu próprio hábito definidor, uma construção que trata uma virtude abstrata como fundadora de linhagem exatamente da maneira como owe-family-lineage-compound documenta que os nomes Yorùbá fazem para famílias reais.
16. Ìyà tó ńjẹ ọ̀lẹ ò kéré; a-lápá-má-ṣiṣẹ́.
Literal: Ìyà tó ńjẹ ọ̀lẹ the-suffering that-afflicts the-lazy-person ò kéré is-not small; a-lápá-má-ṣiṣẹ́ one-who-has-arms-that-will-not-work.
Idiomatic: "The malaise that afflicts the lazy person is not trifling; one-who-has-arms-that-will-not-work." [S1]
Significado: A preguiça é em si uma aflição grave, não um defeito menor de caráter.
Usado quando: A nota de Owomoyela afirma categoricamente: "A preguiça é uma grande aflição" [S1]
Notas: O sintagma nominal condensado final, a-lápá-má-ṣiṣẹ́, descreve braços que existem, mas recusam sua função, o que enquadra a preguiça como um tipo de deficiência autoinfligida, e não mera falta de disposição.
17. Bí ebí bá ńpa ọ̀lẹ, à jẹ́ kó kú.
Literal: Bí ebí bá ńpa ọ̀lẹ if hunger is-killing a-lazy-person, à jẹ́ kó kú let-us allow him-to die.
Idiomatic: "If a lazy person is suffering from hunger, he/she should be left to die." [S1]
Significado: A fome causada pela recusa em trabalhar não merece socorro.
Usado quando: Owomoyela: "Pessoas indolentes não merecem compaixão" [S1]
Notas: Este está entre os provérbios mais severos do arquivo, negando até mesmo a obrigação comum do grupo doméstico de alimentar seus membros; deve ser lido preferencialmente como um extremo retórico usado para envergonhar, e não como um conselho literal para deixar alguém morrer de fome.
18. Òṣìṣẹ́ lọ̀tá ọ̀lẹ.
Literal: Òṣìṣẹ́ the-industrious-person lọ̀tá ọ̀lẹ is-the-enemy-of the-lazy-person.
Idiomatic: "The industrious person is the enemy of the shiftless person." [S1]
Significado: A presença de uma pessoa trabalhadora expõe o fracasso de uma pessoa preguiçosa por comparação, gerando ressentimento por isso.
Usado quando: Owomoyela: "Pessoas com defeitos odeiam aqueles que podem expô-las" [S1]
Notas: A "inimizade" aqui não é uma agressão por parte de quem é diligente; é o ressentimento sentido por quem é preguiçoso, de modo que o provérbio é, na verdade, um comentário sobre como a própria comparação funciona como uma acusação.
19. Òṣìṣẹ́ wà lóòrùn; ẹní máa jẹ́ wà níbòji.
Literal: Òṣìṣẹ́ wà lóòrùn the-labourer is in-the-sun; ẹní máa jẹ́ wà níbòji the-one-who-will-benefit is in-the-shade.
Idiomatic: "The laborer is in the sun; the person who will reap the fruit is in the shade." [S1]
Significado: Aqueles que realizam o trabalho e aqueles que se beneficiam dele com frequência não são as mesmas pessoas.
Usado quando: Owomoyela: "Com bastante frequência, aqueles que trabalham não são os que colhem os frutos do trabalho" [S1]
Notas: Uma variante próxima substitui trabalhadores por comerciantes, Oníṣòwò wà lóòrùn; náwónáwó wà níbòji, "A pessoa que faz o comércio está ao sol; a pessoa que gasta o dinheiro está à sombra", com a nota de uso criticando "pessoas que não despendem esforço algum, mas se aproveitam do esforço alheio" [S1] A imagem de sol e sombra reaparece em ambos como a representação fixa para a exposição ao trabalho em contraste com o isolamento em relação a ele.
20. Bí ilẹ̀-ẹ́ bá mọ́, ojú orun lọ̀lẹ ńwà.
Literal: Bí ilẹ̀-ẹ́ bá mọ́ when the-ground/day breaks, ojú orun the-face-of sleep lọ̀lẹ ńwà is-where the-lazy-person is-found.
Idiomatic: "When day breaks the lazy person will still be asleep." [S1]
Significado: A pessoa preguiçosa é definida por perder o início da jornada de trabalho que todas as outras pessoas assumem.
Usado quando: Owomoyela: "Pessoas preguiçosas não se dispõem a cumprir um dia honesto de trabalho" [S1]
Notas: Lido em contraste direto com o catálogo do verbete 4 sobre cada ofício que desperta ao raiar do dia, este provérbio nomeia a única figura conspicuamente ausente dessa lista.
21. Bí ojúmọ́ mọ́ lékèélékèé a yalé ẹlẹ́fun, agbe a yalé aláró, àlùkò a yalé olósùn.
Literal: Bí ojúmọ́ mọ́ when day breaks lékèélékèé the-cattle-egret a yalé ẹlẹ́fun heads-for-the-home of-the-chalk-dealer, agbe the-blue-touraco a yalé aláró heads-for-the-home of-the-indigo-dealer, àlùkò the-purple-àlúkò-bird a yalé olósùn heads-for-the-home of-the-camwood-dealer.
Idiomatic: "When day dawns the cattle egret makes for the home of the dealer in chalk, the blue touraco heads for the home of the indigo dealer, the purple àlúkò bird seeks out the dealer in camwood resin." [S1]
Significado: Criaturas diligentes vão direto aos seus afazeres próprios às primeiras luzes do dia, cada qual para o ofício que corresponde à sua própria coloração.
Usado quando: Owomoyela: "Pessoas diligentes nunca se demoram na busca de seu ofício" [S1]
Notas: Cada pássaro é associado a um vendedor de tintura cujo produto se assemelha à própria coloração da ave, branca, azul e marrom-avermelhada, respectivamente; assim, a imagem cumpre uma dupla função: descrever a pontualidade e, ao mesmo tempo, apresentar um pequeno trocadilho de história natural.
22. Ọlọgbọ́n kì í kú sóko ọ̀lẹ; bí ọlọgbọ́n bá kú sóko ọ̀lẹ, ọ̀ràn náà-á nídìí.
Literal: Ọlọgbọ́n kì í kú the-wise-person does-not die sóko ọ̀lẹ on-the-farm of-a-lazy-person; bí ọlọgbọ́n bá kú sóko ọ̀lẹ if a-wise-person dies on-a-lazy-person's-farm, ọ̀ràn náà-á nídìí that matter has-a-reason-behind-it.
Idiomatic: "The wise will not die on a farm for the lazy; if a wise person dies on a farm for the lazy, there must be some explanation." [S1]
Significado: Uma pessoa capaz normalmente não se esgota trabalhando em favor de alguém que não quer trabalhar; se isso acontece, algo incomum está ocorrendo.
Usado quando: Owomoyela: "A pessoa engenhosa sempre encontrará uma saída para uma situação difícil" [S1]
Notas: A estrutura do provérbio, que enuncia a regra e imediatamente dá margem à sua exceção, é um formato comum neste corpus e sinaliza que a "regra" é, na verdade, uma forte expectativa, e não um princípio absoluto.
23. Kí á gbé ọkọ́ so sájà ká pète ìmẹ́lẹ́; ojúgun-ún yó tán ó fikùn sẹ́hìn.
Literal: Kí á gbé ọkọ́ so sájà to hang-up the-hoe in-the-rafters ká pète ìmẹ́lẹ́ and plot to-shirk-work; ojúgun-ún yó tán the-shin has-eaten-its-fill and ó fikùn sẹ́hìn it-has-put a-belly on-its-back.
Idiomatic: "Hiding the hoe in the loft and contriving to shirk work; the shin ate its fill and developed a stomach at its back." [S1]
Significado: Alguém que evita o trabalho ainda espera comer bem, uma combinação absurda que o provérbio retrata como uma perna criando barriga.
Usado quando: Owomoyela: "Dito sobre pessoas que se esquivam do trabalho, mas participam avidamente das recompensas" [S1]
Notas: A imagem de uma canela desenvolvendo uma barriga é uma impossibilidade deliberadamente grotesca, usada para ridicularizar a expectativa igualmente impossível de recompensa sem trabalho.
24. Ó gbọ́ tiyán sògìrì mọ́dìí; o gbọ́ toko sọ àdá nù.
Literal: Ó gbọ́ tiyán he heard about-pounded-yam sògìrì mọ́dìí he-girded cooked-melon-seeds around-his-waist; o gbọ́ toko he heard about-farm-work sọ àdá nù he-threw the-cutlass away.
Idiomatic: "On hearing about pounded yam he girded himself with cooked melon seeds for stew seasoning; on hearing about farm work he threw his cutlass away." [S1]
Significado: O preguiçoso se prepara com entusiasmo para comer e se recusa até mesmo a se equipar para o trabalho.
Usado quando: Owomoyela: "O preguiçoso atenderá com avidez ao chamado para comer, mas não para trabalhar" [S1]
Notas: As duas reações são apresentadas como imagens espelhadas, aprontando-se para um chamado e descartando a própria ferramenta diante do outro, o que torna o contraste visual em vez de meramente textual.
25. Ọ̀lẹ́ fẹ́ àrùn kù, ó bú pùrù sẹ́kún.
Literal: Ọ̀lẹ́ fẹ́ àrùn kù the-lazy-person wants illness remaining, ó bú pùrù sẹ́kún he bursts suddenly into-weeping.
Idiomatic: "The lazy person cannot find a disease to contract, he bursts into tears." [S1]
Significado: A pessoa preguiçosa fica tão desesperada para evitar o trabalho que a ausência de uma desculpa plausível, como uma doença, a reduz ao pranto aberto.
Usado quando: A nota de Owomoyela é direta: "O preguiçoso prefere contrair uma doença a se submeter ao trabalho" [S1]
Notas: O teor cômico do provérbio reside na especificidade: não apenas evitar o trabalho, mas desejar ativamente uma doença como pretexto legítimo, ficando angustiado por não dispor de nenhuma.
26. Ọ̀lẹ́ mọ èèwọ̀ ìjà: ó ní bàbá òún ní kóun má jà lọ́nà oko.
Literal: Ọ̀lẹ́ mọ èèwọ̀ ìjà the-coward knows the-taboo of-fighting: ó ní bàbá òún ní he says his-father told kóun má jà lọ́nà oko him-not to-fight on-the-farm-road.
Idiomatic: "The coward knows the preventive for fighting: he says his father has ordered him not to fight on the way to the farm." [S1]
Significado: Uma pessoa indisposta a trabalhar ou a lutar inventa uma proibição de aparência plausível para se justificar.
Usado quando: Owomoyela: "O covarde usará qualquer desculpa para fugir de uma luta" [S1]
Notas: Ọ̀lẹ́ aqui tem função dupla, como em outros pontos do corpus, alternando entre "preguiçoso" e "covarde", e a tradução de Owomoyela opta por "covarde" para esta entrada especificamente porque a desculpa diz respeito ao combate e não ao trabalho agrícola, embora o mesmo termo abranja ambas as fraquezas.
27. Kantí-kantí ní ká wá ǹkan dí agbè lẹ́nu kí ǹkankan má kòó sí i; eṣinṣín ńpọntí; ekòló ńṣú ọ̀lẹ̀lẹ̀.
Literal: Eṣinṣín ńpọntí the-fly is-brewing-palm-wine; ekòló ńṣú ọ̀lẹ̀lẹ̀ the-earthworm is-steaming bean-cakes; kantí-kantí ní ká wá ǹkan dí agbè lẹ́nu the-sugar-fly says let-us-find something to-plug the-gourd's-mouth kí ǹkankan má kòó sí i so-that-nothing falls-into it.
Idiomatic: "The fly is procuring wine while the worm is cooking bean-meal, and the sugar-fly asks them to find something to cork the gourd so nothing would enter into it." [S1]
Significado: Um desocupado nada contribui para o esforço conjunto e, em vez disso, inventa tarefas inúteis que apenas atrapalham aqueles que estão de fato produzindo algo.
Usado quando: Owomoyela: "O desocupado procura arranjar mais trabalho para aqueles que já estão plena e utilmente ocupados" [S1]
Notas: Os três insetos são citados como se administrassem uma pequena economia doméstica, e a "contribuição" da mosca-do-açúcar, tapando a cabaça, atrapalha ativamente em vez de ajudar, o que constitui toda a graça da formulação.
Ofícios, comerciantes e o mercado
28. Àbọ̀ṣẹ́ kì í ṣe iṣẹ́ òòjọ́; iṣẹ́-ẹ baba ẹni ní ńgbani lọ́jọ́ gan-an.
Literal: Àbọ̀ṣẹ́ spare-time-work kì í ṣe iṣẹ́ òòjọ́ is-not a-daily profession; iṣẹ́-ẹ baba ẹni one's-father's assignment ní ńgbani lọ́jọ́ gan-an is-what truly takes-up-one's-whole-day.
Idiomatic: "Spare-time work is no profession; it is an assignment from one's father that takes all of one's day." [S1]
Significado: Um passatempo praticado em momentos de ócio não conta como meio de sustento; uma ocupação de verdade exige a totalidade do tempo da pessoa.
Usado quando: Owomoyela: "Não se desperdiça o tempo com ninharias ou passatempos" [S1]
Notas: Mencionar especificamente a tarefa designada pelo pai situa o trabalho real dentro da economia doméstica, na qual o trabalho do filho era devido ao chefe do complexo familiar e por ele dirigido, em consonância com o que owe-family-lineage-compound documenta sobre as obrigações de trabalho filial.
29. Àjẹkù làgbẹ̀ ńtà.
Literal: Àjẹkù the-leftovers làgbẹ̀ ńtà is-what-the-farmer sells.
Idiomatic: "It is the leavings from his table that the farmer sells." [S1]
Significado: O produtor guarda o melhor do que produz para uso próprio e vende apenas o excedente.
Usado quando: Owomoyela: "Cuida-se das próprias necessidades antes de se desfazer do excesso" [S1]
Notas: O provérbio expressa uma regra de economia doméstica prudente por meio da figura específica do agricultor, cujo produto é visível e quantificável de modo a tornar o princípio fácil de constatar.
30. Àjàpá ní kò sí ohun tó dà bí ohun tí a mọ̀ ọ́ṣe; ó ní bí òún bá ńrìn lóko ẹ̀pà, ọ̀kọ̀ọ̀kan a máa bọ́ sóun lẹ́nu.
Literal: Àjàpá ní Tortoise says kò sí ohun tó dà bí ohun tí a mọ̀ ọ́ṣe there-is-nothing like a-thing one knows-how-to-do; ó ní bí òún bá ńrìn lóko ẹ̀pà he-says when he walks through a-peanut-farm, ọ̀kọ̀ọ̀kan a máa bọ́ sóun lẹ́nu one-by-one they pop into-his mouth.
Idiomatic: "Tortoise says there is nothing quite like what one knows how to do; it says when it walks through a peanut farm, peanuts keep popping one by one into its mouth." [S1]
Significado: O verdadeiro domínio de uma habilidade faz com que seus resultados pareçam fáceis, quase automáticos.
Usado quando: Owomoyela: "Quando se faz aquilo em que se é um verdadeiro especialista, parece que se está fazendo mágica" [S1]
Notas: Àjàpá, a tartaruga, é a figura trapaceira em toda essa tradição de provérbios, de modo que sua jactância aqui é caracteristicamente interesseira, mesmo que a observação em si, de que a perícia parece mágica, se sustente por si só.
31. Ìdí òwò ni òwòó gbé tà.
Literal: Ìdí òwò the-base/foundation of-a-trade ni òwòó gbé tà is-where the-trade thrives-and-sells.
Idiomatic: "It is at its home base that a company or trade prospers." [S1]
Significado: Um negócio prospera melhor onde está enraizado, entre os clientes e as relações que o estabeleceram.
Usado quando: Owomoyela: "Seria prudente proteger a própria base" [S1]
Notas: Ìdí, base ou fundação, é a mesma palavra utilizada em outras partes do corpus para o suporte estrutural de um edifício ou de uma relação, o que enquadra o mercado de origem de um ofício como elemento de sustentação e não como algo incidental.
32. Elékuru kì í kiri lóko.
Literal: Elékuru the-seller-of-steamed-bean-cakes kì í kiri lóko does-not hawk-her-wares on-a-farm.
Idiomatic: "The seller of steamed ground beans does not hawk her wares on a farm." [S1]
Significado: Um vendedor não desperdiça esforço oferecendo mercadorias onde as próprias pessoas já produzem esse mesmo bem.
Usado quando: Owomoyela: "Perde-se tempo ao tentar vender coisas a quem as produz" [S1]
Notas: O feijão é uma cultura agrícola básica, de modo que um vendedor de bolo de feijão em uma fazenda está tentando vender justamente para as pessoas com menor probabilidade de precisar comprar, o que constitui o erro econômico preciso apontado pelo provérbio.
33. Ẹ̀ni tí a bá ḿbá nájà là ńwò, a kì í wo ariwo ọjà.
Literal: Ẹ̀ni tí a bá ḿbá nájà the-person one is-bargaining-with-at-market là ńwò is-what-we watch, a kì í wo ariwo ọjà one does-not watch the-noise of-the-market.
Idiomatic: "One pays attention to the person with whom one is bargaining, not to the commotion of the market place." [S1]
Significado: Em uma negociação, preste atenção na contraparte, não na distração ao redor.
Usado quando: Owomoyela: "Deve-se manter a mente no próprio negócio e deixar de lado as questões alheias" [S1]
Notas: O mercado, que em outras partes deste corpus é um espaço de observação social geral, é aqui reduzido à sua função transacional, e o provérbio insiste nesse foco mais restrito durante uma negociação concreta.
34. Òwò tí a ó ṣe là ńtọ́jú; Òjí fabẹ họra.
Literal: Òwò tí a ó ṣe the-trade one will practise là ńtọ́jú is-what-one takes-care-of; Òjí fabẹ họra Òjí uses-a-razor to-scratch-his-body.
Idiomatic: "The trade one will pursue is the one one protects; Òjí scratches his body with a razor." [S1]
Significado: As pessoas mantêm e guardam por perto os instrumentos do ofício que realmente pretendem exercer.
Usado quando: Owomoyela: "Os instrumentos que as pessoas preferem revelam o ofício que exercem" [S1]
Notas: Òjí, provavelmente um barbeiro pelo detalhe da navalha, é apresentado como uma ilustração concreta da afirmação geral: o que uma pessoa mantém afiado e pronto revela sua verdadeira ocupação, mesmo em um ato tão mundano quanto coçar uma coceira com o instrumento de trabalho.
35. Bí kò bá sí oníṣẹ́ iṣẹ́ ò leè lọ; bí kò bá sí ọlọ́wẹ̀ a kì í ṣọ̀wẹ̀; àkẹ̀hìnsí ọlọ́wẹ̀ là ńṣípá.
Literal: Bí kò bá sí oníṣẹ́ if the-owner-of-the-job is-absent iṣẹ́ ò leè lọ work cannot proceed; bí kò bá sí ọlọ́wẹ̀ if the-one-who-engaged-help is-absent a kì í ṣọ̀wẹ̀ no communal-help is-rendered; àkẹ̀hìnsí ọlọ́wẹ̀ the-moment-the-back-is-turned of-the-one-who-engaged-help là ńṣípá is-when-we lift-our-hands from-the-work.
Idiomatic: "If the owner of the job is absent the job does not progress; if the person who engaged the help is absent no help is given; when the back of the person who engaged help is turned, one lifts one's hands from the job." [S1]
Significado: O trabalho contratado ou comunitário só avança sob supervisão direta e cessa no instante em que a atenção do supervisor se desvia.
Usado quando: Owomoyela: "O empregado é mais diligente quando está sob a supervisão do empregador" [S1]
Notas: O provérbio descreve um arranjo de trabalho específico, ọ̀wẹ̀, grupos de trabalho comunitário ou recíproco, em vez do trabalho assalariado em geral, e sua observação sobre a supervisão é apresentada como um fato sobre como tais arranjos realmente funcionam, não como um elogio aos trabalhadores envolvidos.
36. Èrò kì í jẹ́wọ́-ọ "Mo tà tán."
Literal: Èrò kì í jẹ́wọ́-ọ the-trader does-not confess "Mo tà tán." "I have sold everything."
Idiomatic: "The trader never confesses, 'I sold all my wares.'" [S1]
Significado: Um comerciante não admitirá abertamente que teve um desempenho excepcionalmente bom.
Usado quando: Owomoyela: "As pessoas sempre relutam em revelar a extensão de sua boa sorte" [S1]
Notas: A relutância descrita é apresentada como etiqueta de mercado padrão, e não como desonestidade em si, em consonância com a advertência mais ampla de Yorùbá contra atrair inveja ao divulgar o sucesso.
37. Ọ̀wọ́n yúnlé, ọ̀pọ̀-ọ́ yúnjà.
Literal: Ọ̀wọ́n yúnlé the-scarce-and-costly heads-to-the-home, ọ̀pọ̀-ọ́ yúnjà the-plentiful-and-cheap heads-to-the-market.
Idiomatic: "Expensive commodities come to the home; inexpensive ones go to the market." [S1]
Significado: Mercadorias com preços excessivos não encontram compradores no mercado aberto e acabam sendo vendidas em particular, em casa, se forem vendidas.
Usado quando: Owomoyela: "Se alguém cobra caro demais por suas mercadorias, não encontrará compradores" [S1]
Notas: O provérbio relata a consequência prática da cobrança excessiva sem moralizar a respeito: as mercadorias não desaparecem, apenas se deslocam para um canal menor e menos competitivo.
Diligência, dedicação e a recompensa do esforço
38. Ẹ̀ni tí ó bá ní ìtara ló ní àtètèbá.
Literal: Ẹ̀ni tí ó bá ní ìtara whoever has enthusiasm/eagerness ló ní àtètèbá is-who has the-early-arrival's-share.
Idiomatic: "It is the industrious person that wins the spoils." [S1]
Significado: A prontidão e a aplicação, e não a sorte, determinam quem é beneficiado.
Usado quando: A nota de Owomoyela enuncia o princípio geral: "A dedicação assegura o sucesso" [S1]
Notas: Àtètèbá, literalmente "o achado de quem chega cedo", designa a vantagem específica de ser o primeiro a chegar; assim, o provérbio associa a diligência ao fato de ser o primeiro a estar no local, e não ao mero número de horas gastas trabalhando.
39. "Bùn mi níṣu kan" kì í ṣáájú "Ẹ̀kú oko òo."
Literal: "Bùn mi níṣu kan" "give me one yam" kì í ṣáájú does-not precede "Ẹ̀kú oko òo." "greetings to you on the farm."
Idiomatic: "'Give me one yam' does not precede 'Greetings to you on the farm.'" [S1]
Significado: Um pedido não cumpre a etiqueta adequada até que a cortesia de uma saudação tenha sido oferecida primeiro.
Usado quando: Owomoyela: "Não se pede um favor a alguém nem se faz qualquer negócio com uma pessoa sem antes trocar cumprimentos com ela" [S1]
Notas: A saudação da roça Ẹ̀kú oko, "bom trabalho na roça", é uma fórmula fixa de cortesia dirigida a qualquer pessoa encontrada em seu trabalho, e o provérbio utiliza sua sequência correta, a saudação antes do pedido, como modelo para toda aproximação social adequada, incluindo os negócios.
40. Orí iṣẹ́ laago ńkú lé.
Literal: Orí iṣẹ́ at-the-head-of work laago ńkú lé is-where the-clock dies upon.
Idiomatic: "It is while at work that a clock dies." [S1]
Significado: A pessoa deve ser encontrada ainda trabalhando quando o tempo se esgotar, e não ociosa.
Usado quando: A nota de Owomoyela o interpreta como "um voto de nunca parar de trabalhar até a morte" [S1]
Notas: O relógio "morrer" representa o fim do tempo concedido ou da própria vida, e o provérbio é incomum neste arquivo por ser pronunciado como um voto pessoal, em vez de uma descrição ou reprovação a outrem.
41. A níṣẹ́ iṣẹ́ ẹ, o ní ò ńlọ sóko; bó o bá lọ sóko ò ḿbọ̀ wá bá a nílé.
Literal: A níṣẹ́ iṣẹ́ ẹ one-is-told a-job is-yours, o ní ò ńlọ sóko you say you-are-going to-the-farm; bó o bá lọ sóko even-if you go to-the-farm ò ḿbọ̀ wá bá a nílé it will-come to-meet you at-home.
Idiomatic: "You are told that a job is your responsibility and you say you are on your way to the farm; you may be on your way to the farm, but the job will be there on your return." [S1]
Significado: Não se escapa de uma obrigação ausentando-se; ela simplesmente aguarda o retorno da pessoa.
Usado quando: Owomoyela: "Pode-se conceber estratagemas para adiar o cumprimento dos próprios deveres, mas dificilmente isso fará com que outros os cumpram" [S1]
Notas: A roça aqui funciona como uma desculpa, e não como uma obrigação concorrente genuína; portanto, o provérbio trata, na verdade, de táticas de adiamento em geral, usando a roça como o pretexto plausível do momento.
42. A kì í mú oko mú ẹjọ́ kí ọ̀kan má yẹ̀.
Literal: A kì í mú oko one does-not take-up the-farm mú ẹjọ́ and-take-up a-court-case kí ọ̀kan má yẹ̀ such-that neither is-neglected.
Idiomatic: "One does not opt to work on the farm and also opt to go argue one's case and avoid neglecting one or the other." [S1]
Significado: Uma pessoa não pode dedicar total atenção a dois empreendimentos exigentes e mutuamente excludentes ao mesmo tempo.
Usado quando: Owomoyela: "Não se pode realizar duas tarefas mentalmente absorventes de uma só vez" [S1]
Notas: O trabalho na roça e um processo judicial foram escolhidos como par de exemplos porque ambos eram compreendidos como exigentes de toda a atenção da pessoa por um período contínuo; uma variante próxima, A kì í múlé móko kọ́kan má yẹ̀ ("Não se dedica à casa e se dedica à roça sem acabar negligenciando uma delas"), expressa o mesmo ponto estrutural com casa e roça, em vez de roça e litígio [S1].
43. Ẹ̀rúkọ́ ńṣe bí ọkọ́.
Literal: Ẹ̀rúkọ́ the-haft-of-the-hoe ńṣe bí ọkọ́ is-behaving like the-hoe.
Idiomatic: "The haft of the hoe is behaving like a hoe." [S1]
Significado: Uma parte ou pessoa subordinada está agindo como se fosse o todo ou o elemento mais importante.
Usado quando: Owomoyela: "Determinada pessoa está assumindo ares a que não tem direito" [S1]
Notas: A enxada só tem utilidade por causa de sua lâmina; o cabo é apenas onde a mão segura, de modo que a imagem é precisa quanto a qual parte da ferramenta realmente executa o trabalho na roça e qual parte está reivindicando os louros.
44. Ọkọ́ ọlọ́kọ́ la fi ńgbọ́n èkìtì.
Literal: Ọkọ́ ọlọ́kọ́ another-person's hoe la fi ńgbọ́n èkìtì is-what-we-use to-clear a-mound-of-rubbish.
Idiomatic: "It is other people's hoe that one uses to clear a mound of rubbish." [S1]
Significado: As pessoas são mais descuidadas com ferramentas e esforços alheios do que com seus próprios bens.
Usado quando: Owomoyela: "Costuma-se ser mais respeitoso com a própria propriedade do que com a dos outros" [S1]
Notas: O provérbio descreve uma tendência humana comum em vez de ser uma instrução, e adverte implicitamente quem empresta ferramentas sobre o que esperar.
45. Kí a máa re tábà ká máa wòkè, kọ́jọ́ tó kanrí ká wo oye ìka tí yó kù.
Literal: Kí a máa re tábà let-us keep cutting tobacco-leaves ká máa wòkè while looking-up, kọ́jọ́ tó kanrí until-the-day reaches-its-head ká wo oye ìka tí yó kù and-we-see how-many fingers will-remain.
Idiomatic: "Let us keep on cutting tobacco leaves to pieces while looking up, and let us see at day's end how many fingers will be left." [S1]
Significado: Realizar um trabalho perigoso e minucioso de forma distraída atrai ferimentos, algo tornado vívido pela imagem da perda de dedos ao final do dia.
Usado quando: Owomoyela: "Deve-se prestar muita atenção quando se está envolvido em um trabalho perigoso" [S1]
Notas: A imagem é sombriamente prática em vez de hipotética: cortar fumo com lâmina é um trabalho de proximidade genuinamente perigoso, e o enquadramento de "contar os dedos ao fim do dia" transforma um aviso de segurança em algo mais próximo do humor negro.
46. Bí a kò ṣe ọdẹ rí, a kò lè mọ ẹsẹ̀-ẹ kò-lọ-ibẹ̀un.
Literal: Bí a kò ṣe ọdẹ rí if one has-never been-a-hunter, a kò lè mọ ẹsẹ̀-ẹ kò-lọ-ibẹ̀un one cannot know the-tracks-of it-did-not-go-that-way.
Idiomatic: "If one has never hunted, one would not know the tracks of 'it-did-not-go-that-way.'" [S1]
Significado: A leitura dos sinais especializados de um ofício é uma habilidade que apenas os seus praticantes possuem.
Usado quando: Owomoyela: "A pessoa é ignorante em um ofício que não é o seu" [S1]
Notas: O sintagma nominal condensado ẹsẹ̀-ẹ kò-lọ-ibẹ̀un, "os rastros de não-foi-por-ali", nomeia um conhecimento específico da caça, a leitura de rastros que descartam uma direção, e toda a força do provérbio reside no fato de quem está de fora sequer saber que tal categoria de sinal existe.
47. Ọ̀ràn-an-yàn ò sí nínúu iyánrán.
Literal: Ọ̀ràn-an-yàn the-matter-of-choosing ò sí nínúu iyánrán is-not present in-voluntary-work.
Idiomatic: "There is no compulsion in voluntary work." [S1]
Significado: O trabalho oferecido de livre vontade não pode ser tratado posteriormente como uma obrigação devida.
Usado quando: A nota de Owomoyela é direta: "O trabalho voluntário não é uma obrigação" [S1]
Notas: Este provérbio mantém uma tensão produtiva com as entradas 35 e 4, que descrevem o trabalho como rigidamente delimitado pela supervisão e pelo papel social; aqui, o provérbio delimita uma categoria, o trabalho oferecido voluntariamente, que essas expectativas obrigatórias não alcançam.
48. Ṣiṣe-é rorò, jíjẹ ọ̀fẹ́.
Literal: Ṣiṣe-é rorò working is-harsh, jíjẹ ọ̀fẹ́ eating for-free.
Idiomatic: "Working is difficult; one would rather freeload." [S1]
Significado: O trabalho é árduo, e a tentação de viver às custas dos outros sem contribuir é real e comum.
Usado quando: Owomoyela: "Poucas pessoas gostam do trabalho; todos gostariam de ter uma vida boa de graça" [S1]
Notas: Ao contrário da maioria dos provérbios deste arquivo, que condenam abertamente a preguiça, este admite a tentação subjacente como comum e quase universal antes que o restante da coletânea passe a condenar agir segundo ela.
49. Bí a kò bá gbọ́n ju àparò oko ẹni lọ, a kì í pa á.
Literal: Bí a kò bá gbọ́n if one is-not clever ju àparò oko ẹni lọ surpassing the-partridge of-one's-farm, a kì í pa á one does-not kill it.
Idiomatic: "If one is not more clever than the partridge on one's farm, one cannot kill it." [S1]
Significado: O sucesso diante de um desafio exige superá-lo em capacidade, e não apenas opor-se a ele.
Usado quando: Owomoyela: "Para ter sucesso, é preciso ser mais astuto do que o próprio adversário" [S1]
Notas: A perdiz aparece repetidamente neste corpus como uma praga das plantações astuta o bastante para evitar a captura; assim, invocá-la especificamente, em vez de uma praga genérica, recorre a uma figura consagrada que o público reconheceria como um verdadeiro teste de astúcia.
50. Bí a kò ránni sọ́jà, ọjà kì í ránni sílé.
Literal: Bí a kò ránni sọ́jà if one does-not send-word to-the-market, ọjà kì í ránni sílé the-market does-not send-word to-one at-home.
Idiomatic: "If one does not send a message to the market, the market does not send a message to one at home." [S1]
Significado: A oportunidade e a recompensa não procuram os passivos; a pessoa deve ir ao encontro delas primeiro.
Usado quando: Owomoyela: "A menos que se faça um esforço, não se pode esperar recompensas" [S1]
Notas: O mercado é personificado como um correspondente que não toma a iniciativa do contato, revertendo a imagem mais comum em outras partes deste corpus, na qual o dinheiro ou a riqueza atuam como agentes que vêm à procura de seu dono.
Fontes sem marcas de tom
Os três provérbios desta seção provêm de uma fonte que imprime Yorùbá sem marcas de tom, utilizando a ortografia com apóstrofo. Eles são reproduzidos nesse estado. Nenhum diacrítico foi acrescentado, pois fornecê-los implicaria introduzir uma leitura não autorizada pela fonte.
51. Oju Oloko ni agbado se Igbo.
Literal: Oju Oloko in-the-sight-of the-farmer ni agbado se Igbo is-where corn ripens fully.
Idiomatic: "Corn becomes ripe while the farmer is yet living." [S2]
Significado: Um agricultor vê sua plantação atingir a maturidade, formulado como uma breve afirmação sobre o trabalhador que vive para testemunhar o fruto do seu próprio esforço.
Usado quando: Osoba cita este provérbio ao lado de outro comparável, sobre uma faca que não molda o seu próprio cabo já fixado, como exemplo de provérbios de forma literal que "apresentam o pensamento de maneira simples, direta e transparente" [S2]
Notas: A discussão de Osoba trata este provérbio principalmente como um exemplo de forma proverbial (o tipo literal, não figurativo), em vez de glosar detalhadamente o seu uso social; portanto, a nota de uso aqui reflete a inferência do compilador a partir do sentido literal do texto, e não uma glosa explícita de uso da fonte. Grau de confiança no uso: médio.
52. Gidigidi ko m'ola, ka sise bi eru ko da nkan.
Literal: Gidigidi restless-scurrying-effort ko m'ola does-not know-tomorrow's-prosperity, ka sise bi eru to work like a-slave ko da nkan does-not amount-to-anything.
Idiomatic: "Restless efforts are not criteria for one to be rich, working like a slave does not make one become important." [S2]
Significado: Atividade frenética e trabalho árduo por si sós não garantem riqueza ou posição social.
Usado quando: Citado como advertência contra equiparar a ocupação visível com prosperidade genuína ou importância.
Notas: Este provérbio é muito semelhante ao Gìdì-gìdì ò mọ́là; ká ṣiṣẹ́ bí ẹrú ò da nǹkan com marcas de tom de Owomoyela, "Correr de um lado para o outro não assegura prosperidade; trabalhar como um escravo não resulta em nada", registrado com a nota de uso "Não se prospera necessariamente trabalhando até a morte" [S1] É tratado aqui como uma atestação independente, coletada em campo separadamente, em vez de ser fundido silenciosamente com a versão tonalizada, visto que o texto de Osoba não possui marcas tonais e não se comprovou que os dois sejam idênticos letra por letra. Este verbete também é citado em owe-wealth-poverty-money por sua relação específica com a riqueza; reaparece aqui por sua relação igualmente direta com o trabalho e o esforço.
53. Alagbara ma mero baba ole.
Literal: Alagbara the-strong-and-capable-person ma mero who-does-not-think/plan baba ole is-no-better-than a-lazy-person.
Idiomatic: "A thoughtless hardworking man is not better than a lazy man." [S2]
Significado: Força física ou capacidade de trabalho, exercidas sem discernimento, não superam a preguiça em seus resultados.
Usado quando: Citado como advertência de que a pura diligência desprovida de reflexão não é, por si só, louvável.
Notas: Este provérbio matiza quase todos os outros verbetes deste arquivo: enquanto o restante da coleção trata a operosidade como um bem absoluto em contraposição à preguiça, este insiste que o esforço impensado não constitui uma melhoria real, o que representa uma posição distinta e menos comum dentro do material de origem.
Lendo este conjunto
Três observações específicas sobre este tema.
A roça é tratada como um campo de prova moral, não apenas um local de trabalho. O caráter de uma pessoa torna-se visível ali de uma maneira que talvez não ocorresse em outro lugar: o verbete 20 flagra a pessoa preguiçosa por sua ausência conspícua da cena matinal que todos os outros ofícios povoam; o verbete 2 mostra a procrastinação acumulando seu próprio custo; o verbete 6 usa a roça como o local onde as disputas devem ser resolvidas com honestidade e presteza. A roça funciona nestes provérbios da mesma forma que o complexo doméstico funciona em owe-family-lineage-compound, como um espaço onde a conduta é lida como evidência sobre a pessoa.
A preguiça é tratada como uma aflição grave, objeto de debate em vez de mero escárnio. A maioria dos verbetes na seção "A preguiça e seus frutos" expressa a visão mais severa possível, de que os preguiçosos não merecem compaixão (verbete 17) e que a própria preguiça é um sofrimento real e imenso (verbete 16). No entanto, o verbete 48 admite que o desejo subjacente de evitar o trabalho árduo é comum e quase universal, e o verbete 53 vai além, negando que o trabalho árduo e irrefletido seja sequer melhor do que a preguiça. A coleção não resolve isso em uma única doutrina consistente sobre o trabalho; ela oferece um conjunto de ferramentas para diferentes ocasiões, exatamente como owe-iwa-character documenta em relação aos provérbios sobre o caráter em geral.
Os ofícios são descritos por meio de suas ferramentas e de seu horário característico, não por meio de elogios abstratos ao "trabalho duro". O lavrador é identificado pela enxada, o comerciante pelo sol em suas costas, o pássaro diligente pela porta do tintureiro para a qual se dirige ao amanhecer. Os provérbios deste corpus sobre o trabalho raramente moralizam sobre a diligência em abstrato; eles especificam exatamente qual ferramenta, qual hora e qual sinal visível marca uma pessoa como industriosa ou ociosa, o que é coerente com o caráter concreto e condicionado à ocasião da linguagem proverbial Yorùbá documentada em toda esta série de arquivos.